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Filosofia e Educação - o Ocidente e os Orientes

Filosofia e Educação - o Ocidente e os Orientes, Jean Lauand (org.) recolhe conferências de dez especialistas no Seminário Internacional na FEUSP. É uma edição da ESDC (Escola Superior de Direito Constitucional).    Livraria Loyola           Página 48 do livro (copie daqui)


 


 

Copie aqui a página 48 do livro (faltou em alguns exemplares)

confessada do monge (que se diz árvore seca e rocha fria), escandalizada, a dona do local expulsa-o.
Uma estória envolvendo Buda é mais clara, sem ambiguidades.
Passeando com seus discípulos por caminho pedregoso, Buda indaga por que estão tintas de sangue as pedras. Dizem-lhe que é sangue de um monge, Sona, que fora exímio músico de alaúde na corte, e tudo deixara para se purificar. Mas – explicam-lhe ainda – como é incapaz de progredir tão depressa quanto gostaria, castiga o corpo andando propositadamente descalço sobre as pedras.
Mandando-o chamar, é com o equilíbrio musical que Buda lhe prega uma parábola. Pergunta-lhe se o alaúde soava bem com as cordas lassas. Não soava. E com elas retesadas? Também não. Então, conclui Buda:
“ - Assim a vida: sem exagero na lassidão nem no aperto”.
A metáfora ou imagem da corda, agora no arco e flecha, é a que preferimos de toda esta sapiência, e com ela encerramos.
O melhor arqueiro do reino ensinou a sua arte diligentemente ao Príncipe. Não tem, em teoria, excessiva ciência. A isto se resume: esticar a corda, e soltar. Esticar e soltar…
A última lição do arqueiro, quando o Príncipe é já um excelente atirador, e com os olhos fechados, é mais complexa. Da prática do tiro ao alvo, passar para uma mais prática ainda mais concreta, e mais arriscada: manejar arco e flecha da vida. Viver harmonicamente não é senão isso mesmo: esticar e relaxar, tomar e desprender, deter e abandonar. Em equilíbrio, e conforme os casos e as ocasiões.